de Flavia Venturoli Miranda
niyama – regras de autocontrole
asana – assentamento
pranayama – controle da vitalidade
pratyahara – contenção dos sentidos
dharana – concentração
dhyana – meditação
samadhi – igual a si
de Flavia Venturoli Miranda
postura do leão
simha - leão

Leão é um símbolo de força e realeza, em muitas culturas. No Dicionário Sânscrito Monier Williams diz que simhasana significa o assento do leão, ou do rei, ou seja, o trono.
Simhasana é um dos 4 asanas mais importantes para a Hatha Pradipika (siddhasana, padmasana, bhadrasana e simhasana). A postura clássica é descrita na HP I.52 a 54 assim:
"Coloque os tornozelos abaixo do escroto, o tornozelo direito para a direita e o esquerdo para o lado esquerdo. Coloque as palmas das mãos sobre os joelhos com os dedos abertos, os olhos fixos na ponta do nariz e com a boca aberta. Isto é simhasana, celebrado de grande estima pelos mais avançados yogis. Este asana facilita os três bandhas"
É interessante notar a descrição detalhada da concentração na ponta do nariz, dedos abertos (que se assemelham a garras) e boca aberta (possivelmente por se parecer com um leão rugindo). Outro ponto é a ênfase dada que esse asana facilita a execução dos 3 bandhas, assim sua importância se eleva por se auxiliar nas mudras.
A postura é montada como um leão focado e rugindo de garras prontas para o ataque. Ao executar esse asana. A exalação contundente é feita pela boca colocando a língua para fora e ressoando como um rugido, para alguns autores contemporâneos, isso é a simha mudra.

Há diversas posições das pernas para executar o simhasana. Há variações como a descrição na Hatha Pradipika: tornozelos cruzados sobre o períneo. Ou em vajrasana, ou em sukhasana, ou em mandukasana, ou ainda a descrita por Iyengar em padmasana. Todas com a versão de língua para fora, embora haja descrições em que apenas se abra bem a boca.
Outras variações ficam por conta da colocação das palmas no chão ou nos joelhos com os dedos afastados virados para frente, ou com as palmas das mãos no chão, dedos virados para trás e os joelhos sobre o dorso das mãos. Há ainda variações de nasagra drshti e bhrumadhya drshti segundo o Swami Kuvalayananda.

Simha é um dos signos astrológico, associado com o astro rei, o sol. Leão é o veículo da deusa guerreira Durga. O 4º avatara de Vishnu desce na forma furiosa de Narasimha, ½ homem ½ leão, para salvar seu devoto o demônio Prahlada. Aqui temos algumas indicações simbólicas de leão como poderoso, forte, soberano.
Enfim, a postura reproduz a imagem de um leão com as garras abertas, rugindo, pronto para o ataque, numa demonstração de soberania e poder. Ao praticá-la, há uma descarga emocional pelo "rugido", que tanto relaxa, como prepara para um eventual ataque. Ótima prática para liberar as tensões, descongestionar as expressões faciais e trazer foco para tomar decisões importantes.

Fonte:
Light on Yoga – B. K. S. Iyengar
Asanas – Swami Kuvalayananda – Cultrix
Yoga Terapia – Nilda Fernandes
yoganarasimhasana – Vinyasa Yoga – Srivatsa Ramaswami – Marlowe
Notas de aula com Bhola Nath Yogi
Fonte histórica:
Hatha Pradipika I.52 a 54
Hatha Ratnavali III.30 e 31
Gheranda Samhita II.14 e 15
tradução de Flávia Venturoli de Miranda
do Brihadaranyaka Upanishad 1.3.28

asato ma sad gamaya
tamaso ma jyotish gamaya
mrtyo ma amrtam gamaya
Guia-me do irreal para o real.
Guia-me da escuridão para luz.
Guia-me da morte para imortalidade.

São cinco os koshas:



Ponte é uma construção que interliga dois pontos não acessíveis separados por algum obstáculo. A ponte simbolicamente cria uma passagem de transposição de lugar, tempo, pessoas, ideias, sentimentos entre outros.
É comum que pontes sejam sustentadas por arcos. Neste asana, a coluna é o arco que sustenta a ponte de Shakti para Shiva, onde a grande estrada (mahapatha) é perpassada pela kundalini. O asana fortalece as estruturas para que a ponte esteja pronta para o grande tráfico da Maha Shakti.
É uma postura “extrovertida”, pois abre a parte frontal do corpo, que é o lado voltado para o nascer do sol (purvottana) O asana induz a execução do mulabandha (contração da raiz) e o jalandhara bandha (chave de pescoço), ou seja, estimula os muladhara e vishudha chakra.
Setubandhasana prepara para as posturas invertidas sobre os ombros (viparitakarani e sarvangasana). Como inverte as posições dos chakras juntamente com a execução natural do mulabandha, as impurezas de apanavayu são conduzidas para incineração no manipura chakra. O jalandhara bandha também acontece espontaneamente, impedindo o desperdício do amrita. Produzindo uma purificação e o aumento da vitalidade.
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| Rama Deva, heroi do Ramayama |
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| setubandha em construção |
O príncipe Rama ajudado por um exercito de macacos para libertar a princesa precisam transpor o oceano para alcançar o cativeiro na ilha. Primeiramente Rama tenta com diversas armas secar o oceano, sem sucesso. Durante uma meditação Varuna deva, orienta Rama a procurar o engenheiro Nala e seu irmão Nila para construir uma ponte para invadir a ilha e resgatar a princesa. O exercito de macacos constroem a ponte jogando pedras no oceano e o resgate é um sucesso.
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| exercito de macacos na construção da ponte |
Há uma curiosidade sobre essa ponte mítica, hoje chamada de ponte de Rama (ou de Adão), pois realmente há uma conexão natural subaquática entre a Índia e o Sri Lanka, o estreito de Palk. O estreito possui entre 53 a 80 km de extensão e é formado por uma cadeia de bancos de areia acima do nível do mar.
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| estreito de Palk |


Flavia Venturoli Miranda

Chandra Deva – Deus Lua casou-se com 27 (nakshatras - constelações) filhas de Daksha Prajapati, mas era realmente encantado e dedicado a apenas uma, Rohini. Suas outras esposas reclamaram ao pai do favoritismo do marido, que amaldiçoou Chandra com uma doença fatal e incurável que faria seu belo corpo brilhante desaparecer rapidamente. O declínio do deus Lua foi tão grande que quase não era mais visível, isso provocou um grande desequilíbrio na natureza e trouxe sofrimentos aos seres vivos.

Chandra pediu ajuda ao deus Brahma, pai de Daksha. Brahma lamentou não poder ajudar porque sabia que seu filho não lhe daria ouvidos, contudo o orientou a pedir ajuda ao deus Shiva. Para alcançar as benções de Shiva, Chandra Deva executou o ritual do Maha Mritunjaya por muito tempo. Shiva surgiu quando só havia restado uma pequena parte do deus Lua, praticamente apenas um fino arco era visível. Shiva ajudou na recuperação tratando com a erva Soma, que tornava Chandra novamente radiante e a natureza retomava ao seu equilíbrio. Mas essa maldição era infindável e por muito tempo era necessário refazer regularmente o tratamento com a erva.

Já que a maldição de Daksha não poderia ser retirada, Shiva apresentou uma solução definitiva ao Chandra. A cada quinzena Chandra viveria o castigo do sogro, minguaria até sumir do céu. Contudo se Chandra aceitasse refúgio nos cachos do cabelo do deus Shiva, lhe seria garantido, que após minguar, o deus Lua teria uma quinzena de cheia até voltar a ficar pleno e radiante no céu porque teria o Soma suficiente que precisava.

Assim, Shiva que é também o deus do tempo, Kala, passou a controlar as minguantes e as cheias da Lua e ganhou o adereço no cabelo. Chandrashekhar – que tem a lua no topo da cabeça. Chandramauli – coroa de Lua. Já Chandra voltou a dar atenção igualitária as 27 esposas.
Veja também: ardhachandrasana - postura da lua crescente

Asana é uma ferramenta do yoga, não um fim em si.
O yoga visa neutralizar o ego para que o Si mesmo assuma sua natureza.
Não se pavoneie da postura,
porém execute com habilidade discernimento e modéstia.
do Yoga Vasishtha

Brâmane do “ Espectros ” -1919
do Cecilia de Bolso uma Antologia Poética
organização de Fabrício Carpinejar
L&PM Pocket
da Hatha Pradipika III.1 a 5
tradução adaptada por Flavia Venturoli Miranda
“O Vinyasa tem três partes: surgir, permanecer e se dissolver. A dissolução de uma coisa é o surgimento da seguinte. Todo dia se transforma em noite que se transforma em dia. O inverno se torna a primavera que se torna o verão que se torna o outono que se torna o inverno. Ondas rolam e escorregam para fora, marés fluem e refluem. Cada respiração é assim. Toda vida é assim.de Cyndi LeeMay I Be Happy: A Memoir of Love, Yoga, and Changing My Mind.
Dutton; Book Club edition