17 agosto 2010

Asanas - uma canção hindi

transcrição do livro:
TÉCNICAS DO YOGA. GHAROTE, Dr. M.L,
Phorte Editora. 2000, São Paulo, pgs 30 e 31.



Oh querido, se você controlar o desejo,
qual é a utilidade da prática de asanas?

Depois da prática de asanas, se persistir o desejo,
então seus esforços terão sido em vão.

Se você controlar os desejos, quando você praticar asanas,
a vida tornar-se-á um sucesso.

Sem controlar os vários desejos e instintos,
você continua a torturar o seu corpo.

Se você não abandonar os desejos com a prática de asanas,
ela não terá servido para nenhum propósito útil.

Com desapego firme ao objeto de prazer,
você limpa a casa de sua mente.

Asanas removem as misérias,
contribuindo para o sentimento de bem-estar.

Não é como a interpretação de um ator,
que deveria estar impressa na mente.

Com a graça de Deus e do Guru, o homem torna-se super-homem
se não for afetado pelos desejos e instintos.”

16 agosto 2010

Purusha Sukta - Rig Veda 10.90

tradução de Flávia Venturoli de Miranda

1.
Um milhar de cabeças tem Purusha [puruSa] [1] ,
um milhar de olhos, um milhar de pés.
Assim envolve a terra {bhUmi} por todas as direções
e transcende em 10 dígitos {a~Ngula}.



Tantric Diagram of Virata Purusha

2.
Purusha sozinho é o todo,
o que foi e que será.
É realmente o dono da Imortalidade {amRRita}
que sustenta pelo alimento {anna}.

3.
Tanto é sua grandeza;
que realmente, Purusha é superior a esta.
Todas as criaturas são um quarto dele.
Os outros três quartos são imortais e divinos.

4.
Os três quartos de Purusha ascenderam,
um quarto dele se tornou novamente existente,
com isso, manifestou para todas as direções
os seres terrestres e celestiais

5.
Dele nasceu Viraj[2] e
de Viraj [virAj] surgiu o Purusha.
Tão logo surgiu,
se espalhou adiante e por de trás da terra.

6.
Com a oferenda de Purusha,
os deva-s[3] executaram o sacrifício {yajna}.
A primavera {vasanta} foi a manteiga clarificada {Ajya},
o verão {grISma} foi o combustível
e o outono {shArad} foi a oferenda sagrada.

7.
Assim pelo sacríficio de asperção na grama sacrificial,
primeiro surgiu Purusha.
onde os deva-s, que eram sadhya-s[4] e rishi-s[5],
o sacrificaram

8.
Do grande sacrifício geral,
a manteiga clarificada {Ajya} gotejante foi coletada
Deste ciclo foram criados as criaturas do ar e os animais,
tanto os selvagens como os domesticados.

9.
Do grande sacrifício geral,
os versos sagrados do Rig [RRig] e do Sama [sAma] germinaram.
Dali encantamentos sagrados germinaram
Deles Yajus [ ] surgiu.

10.        
Dele os cavalos nasceram.
Dele todos os rebanhos com 2 fileiras de dentes.
Dele as vacas foram geradas,
Dele as cabras e ovelhas nasceram.

11.
Quando Purusha foi dividido em vários?
O que se tornou seu rosto?
E seus braços?
Como chamam suas pernas e pés?

12.
Seu rosto era o brahmana [6],
seus braços eram feitos de rajanya[7].
Suas coxas se tornaram o vaishya[8],
de seus pés foi produzido o shudra[9]

13.
A lua {candra} foi gerada de sua mente {manas},
e de seus olhos nasceu o sol {sUrya};
Indra [ ] e Agni [ ] nasceram de seu rosto e
Vayu [vAyu] de sua respiração {prANa}.

14.
De seu umbigo veio a atmosfera {antarikSa},
da sua cabeça foi feito o céu {dyau},
De seus pés a terra, de seus ouvidos as direções.
Então eles formaram os mundos {loka}.

15.        
Havia sete portões,
três vezes sete combustíveis para oferenda foram preparados
Para aquele sacrifício dos deva-s,
prenderam Purusha como um animal

16.        
Pelo sacrifício os deva-s fizeram
o culto do sacrifício
Aqueles do dharma [ ][10] primal,
pela grandiosidade de suas adorações,
fazem assim como os sadhya-s [sandhya] e os deva-s [deva].


Purusha Sukta em pdf


[1] puruSaHomem primal cósmico, a alma universal, associado a Narayana [nArAyaNa]. Para o Samkhya [sAMkhya] é a inteligência e consciência do mundo.
[2] virAj – o regulador, o governante, posteriormente associados com Manu [ ], Prajapati [prajApati], Brahma [brahmA] e Vishnu [viSNu]
[3] deva [ ] – deuses, divindade
[4] sAdhyaseres celestiais moradores do bhuvarloka [bhUvarloka ]
[5] RRiSi – sábios que ouviram as revelações dos Vedas
[6] brAhmaNabrâmane. A primeira casta dos 4 varna-s [varNa]. Classe sacerdotal
[7] rAjanya = kshatriya [kSatriya]. A segunda casta d dos 4 varna-s. Classe militar e da realeza.
[8] vaishya ­­­­­- A terceira casta dos 4 varna-s. Classe de comerciantes e agricultores
[9] shudra – A quarta casta dos 4 varna-s. Classe do serviçal
[10] dharmalei cósmica, justiça, um dos 4 puruSArtha-s objetivos da vida



15 agosto 2010

Mentes e Espírito


tradução de Décio Pignatari
livro: 31 poetas 214 poemas,
do Rig-Veda e Safo a Apollinaire
Companhia Das Letras
Hinos do Rigveda (século XVI a.C.)

Nossas idéias vagabundas 
vão pelos muitos caminhos do homem:
o mecânico pensa em acidentes
o médico em aleijados
o sacerdote em doações
A bem do Espírito, ó Mente,
deixe de idéias ociosas.

*

Sou cantora, meu pai é médico,
minha mãe mói o grão na .
pensamos numa boa grana
e mourejamos como escravos.

A bem do Espírito, ó Mente,
deixe de idéias ociosas. ..

*

O cavalo prefere a carroça ligeira
O animador uma boa risada
O pênis busca a greta peluda
A uma lagoa calma:

A bem do Espírito, ó Mente,
deixe de idéias ociosas.

Vak, A Palavra

tradução de Décio Pignatari
livro: 31 poetas 214 poemas,
do Rig-Veda e Safo a Apollinaire
Companhia Das Letras
Hinos do Rigveda (Século XVI a.C)




Possuo a poção sagrada
comando a força de criar nutrir dar
fortaleço quem está pronto a sacrifícios
o vigilante o generoso o que serve

Sou a soberana convoco fartura
sábia ciente suprema no culto
As forças divinas me distinguem em toda parte
Tenho muitas casas ingresso em muitas formas

Meu poder: o homem de discernimento come
e quem quer que respire ou ouça a palavra dita
Sem saber todos habitam em mim
Em verdade, falo: ouça, ó sagrada tradição.

Nasadiya Sukta - Rig Veda 10.129


tradução Flávia Venturoli de Miranda
1.
No início não havia não-existência {asat} nem existência {sat}  
Não havia ar{rajas} nem céu {vyoma}além. 
Qual era o envoltório? Onde? Em qual abrigo?
Havia a água insondável e profunda?

2.
Não havia morte nem imortalidade.
Então, nem da noite nem do dia, não havia sinal.
Aquele Um respirou sem respiração por si mesmo. 
Além dele não havia nada.

3
No início, havia a treva {tamas}oculta nas trevas.
Tudo era a água, indistintamente.
Assim pelo ardor {tapas} daquele Um poderoso.
Surgiu o vazio encoberto na vacuidade.

4.
Assim, no início surgiu o desejo {kamas} uniforme, 
fundação e sêmen {reta} primal da mente {manas}
Os poetas {kavi} procuraram na reflexão dentro do coração e
encontraram a existência {sat} presa na não-existência {asat}.

5.
A linha transversalmente esticada corta,
o queacima e abaixo? 
Abaixo semeadores e poderosas forças inerentes
Acima o esforço.

6.
Quem realmente conhece? 
Quem aqui pode falar de onde nasceu e de onde surgiu a criação {visrishti}? 
Até mesmo as deidades vieram depois do surgimento disso. Quem conhece de onde veio isso?

7.
Essa criação manifestada foi formada,  
ou não,
Aquele observador do além céu certamente conhece,  
ou não.