19 fevereiro 2011

Yoga e Treinamento Autógeno 1ª parte


por Flávia Venturoli de Miranda

Aqui no ocidente, usamos várias técnicas de relaxamento ao final da aula de yoga. Uma dessas técnicas, criada pelo neurologista alemão Johannes Heinrich Schultz em meados dos anos de 1930, é chamada de Treinamento Autógeno, ou  T.A simplesmente.

Chama-se Treinamento, porque se deve praticar com assiduidade para conquistar os objetivos propostos. Chama-se Autógeno, porque, após aprender esse método através de um professor ou instrutor apto, o próprio praticante pode fazê-lo sozinho (auto = si próprio + geno = gerar), ou seja ele mesmo se conduz ao relaxamento. A autonomia para alcançar o relaxamento do Treinamento Autógeno faz que alguns autores o associem a uma auto-hipnose. Segundo Hossri (1970), o T. A. pode ser aprendido em grupo para que cada um, treine por si.


Como qualquer técnica de relaxamento, o T.A. é usado com a finalidade de obter relaxamento físico e mental, o que auxilia no combate e prevenção do cansaço, ansiedade, tensão e estresse. Em seu livro sobre T.A., Hossri demonstra graficamente como a tensão emocional afeta-nos e como o T.A. pode ajudar do reestabelecimento do equilíbrio.


 Schultz vai mais além, ensina que o T.A. pode ser usado em níveis mais avançados até como prática de autoconhecimento. Por isso, é uma prática utilizada por psicólogos e psicanalistas, em seções individuais, nas quais as experiências vivenciadas durante o T.A. são analisadas.

Assim há 2 níveis do Treinamento Autógeno, que devem ser alcançados gradativamente. Portanto, não se deve, pular etapas:
1.        nível básico com 6 etapas., cujo objetivo é o relaxamento psíquico e corporal,
2.        nível avançado com 7 etapas, que trabalha com a imaginação e tem por objetivo o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal.

O T.A., no nível básico, se baseia no exercício de autoindução do relaxamento de vários sistemas do corpo (motor, vascular, cardíaco, respiratório, digestório, neurológico). Durante uma aula de yoga, uso apenas o T.A. básico que é o suficiente para se alcançar o bem-estar procurado pela grande maioria dos alunos.

Interessante notar, como já o fez Schultz, que no Treinamento Autógeno há várias semelhanças com o yoga. Vou resumidamente enumerar algumas que encontrei:

1.    O treino com dedicação e sem crítica nem julgamento é a própria frase do Y.S. I.12 de Patanjali: “A prática {abhyAsa} e o desapego {vairagya} conduzem à cessão (dos turbilhões da mente).”

2.    A prática do T.A. também se assemelha o que é necessário para ação do yoga {kriya yoga}, descrita no YS II.1: disciplina {tapas}, auto-estudo {svadhyAya}, e “auto-entrega” de se permitir relaxar {Ishvara praNidhAna}.

3.   Inicia-se o relaxamento {shaithilya} ao permanecer em uma postura estável e confortável (Asana - YS II.46 e 47), ex: deitado ou sentado em uma poltrona.

4.   O T. A. básico utiliza o foco sensorial no corpo, que em si é um treino para o domínio das sensações (pratyAhAra - YS.55).

5.   Ao manter a atenção em cada parte do corpo e em cada etapa da condução (ou da autocondução) pratica-se a concentração (dhAraNA - YS III.1 e 13), cujo trabalho mental produz uma comutação organísmica (segundo Hossri).

6.    No T.A. avançado as descrições das práticas são muito semelhantes às meditações com visualização, sentimentos e símbolos (como ocorre no saMyama do yoga  -YS III.17)


Então vamos a prática!

veja a próxima postagem


Bibliografia

SCHULTZ, J. H. O Treinamento Autógeno. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1ª ed. brasileira, 1967
HOSSRI, Cesário Morey. Treinamento Autógeno e Equilíbrio Psicotônico. São Paulo: Editora Mestre Jou, 2ª ed. 1970
Patanjali, Yoga Sutra

25 janeiro 2011

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03 dezembro 2010

Utthita Pavanamuktasana

Postura em Pé que Liberta o Purificador
[utthita pavanamuktAsana]
por FláviaVenturoli de Miranda
10/200
utthita [ ]- elevada, em pé
pavana
[ ] - purificador, ares, ventos, gases
mukta
[ ]- libertado, solto


Pavana é um outro nome para vayu [vAyu], ventos. Os 10 vayus são subdivisões funcionais do prana [prANa]. O prana em si é uma manifestação da Mahashakti [mahAshakti] como “órgãos vitais”, tornando possível a vivificação corpórea juntamente com a kundalini [kuNDalinI]. São 5, os prana vayus [prANa vAyu] além de haver mais 5 upavayus [upavAyu], que são secundários. O segundo vayu mais importante é o apana vayu [apAna vAyu], regente da região abdominal, responsável pelos processos excretórios.

Há uma divertida historinha sobre o vayus
na Prashna Upanishad [prashna upaniSad] II.3 e 4]. Certa vez os 5 vayus ficaram orgulhos de si e disseram que só por eles o corpo se mantinha coeso e vivo. O Prana interviu e disse-lhes, para não se enganarem, pois os eles só existiam por que ele, Prana, se dividia em 5. Para provar sua teoria, o Prana ameaçou deixar o corpo. Assim, todos os outros vayus perceberam que se o Prana se retirasse do corpo, eles também teriam que partir. Quando o Prana se assentou novamente, cada um dos vayus achou novamente o seu lugar, porém agora humildemente.

O pavamuktasana
normalmente é feito sentado (ou deitada) com ambas as pernas flexionadas junto ao peito (Sivananda). É também chamado de apanasana [apAnAsana] por Krishnamacharya.

A postura que libera os gases, como o próprio nome diz, ajuda o apana vayu na eliminação da flatulência, massageia o intestino grosso e induz o movimento peristáltico. Nessa versão, ela é feita em pé, em equilíbrio. Para Srivatsa Ramaswami é chamada de utthita marichyasana (utthita marIcyAsana).

Quando feita com a inclinação da cabeça, com intenção da testa alcançar o joelho. Ela se torna ainda mais difícil, não só pela proximidade exigida da coxa (que obriga um alongamento maior da musculatura dos glúteos e da parte posterior da coxa), como também pela exigência de maior concentração, já que o movimento da cabeça, movimenta o labirinto ativando o sistema nervoso e cérebro a uma adaptação dinâmica na busca do equilíbrio.


Fonte:
apanasana [apanAsana] - The Viniyoga of Yoga – TKV Desikachar – KYM
utthita marichyasana (utthita marIcyAsana) - Vinyasa Yoga – Srivatsa Ramaswami – Marlowe
Fonte histórica:
Segundo Encyclopaedia of Traditional Asanas – Dr. Gharote - Lonavla
– essa postura aparece com o nome de balalingana asana [bAlAli~nga Asana] no texto Kapala Kurantaka Hathabhyasa Paddhati verso 84 [kapAla kuraNTaka haThAbhyAsa paddhAti]