14 janeiro 2013

Rshi Ashtanga Yoga Paramparya

Sábia Tradição do Yoga de 8 Partes

de Flávia Venturoli Miranda
janeiro/2013


rshi – sabio ou santo
ashtanga yoga  – 8 membros do yoga
paramaparya
  - tradição
Rshi Ashtanga Yoga Paramparya é uma sequência de asanas, pranayamas e mudras que podem ser feitos antes do Surya Namaskar, Saudação ao Sol. A seguir a sequência  está desmembrada, para saber mais detalhe sobre  cada asana, pranayama ou mudra clique no link.
Na sequência do Rshi Ashtanga Yoga Paramparya, vajrasana  é a base para todos os demais asanas, mudras e pranayamas.

Inicia-se a sequência permanecendo 15 segundo em vajrasana, ou seja sentar sobre os calcanhares.

Em seguida por 3 vezes, inspira-se em mahat pranayama e exala-se pela boca na kaki mudra com sopros curtos, enquanto se curva à frente em dharmikasana.
 



Permanecer por 1 minuto. Depois retornar a vajrasana

Inclinar o corpo para traz até deitar. Permanecer em supta vajrasana por 1 minuto.Depois retornar a vajrasana.

Em vajrasana, revirar os artelhos para frente, esta é a vajravirasana



Em vajravirasana, elevar os braços acima, unir as mãos em prece e permanecer com as, punhos apoiados na cabeça por 1 minuto.
Ao descer o braço, por as mãos em prece em frente do peito.
Desvirar os artelhos.

De cócoras, cabeça nos joelhos, abraçando-os é a utkatasana dessa tradição.Permanecer por 1 minuto.

Colocar as mãos no chão e esticar as pernas. Cabeça continuam nos joelhos. Esta é a postura de Meru.


Elevar o tronco, ficando na vertical com os braços soltos na postura equânime.


Esta sequência de posturas foi publicada no Boletim da Associação Internacional de Professoresde Yoga – IYTA, para anteceder ao Surya Namaskar


Fonte: Boletim da IYTA maio/jun 2000

Meru Asana

Postura Proeminente

meru  - proeminente
 de Flavia Venturoli Miranda
janeiro/2013
Meru asana é uma variação da uttanasana em que as mãos são apoiadas no solo logo a frente dos pés segundo a sequência do Rshi Ashtanga Yoga Paramparya.

Meru, ou Sumeru, é o proeminente monte himalaico mitológico do centro do mundo (axis-mundi), onde reside o deus Brahma.
Monte Meru, morada de Brahma
Conta a lenda que o sol e alua em louvor circungiram o monte Meru.
Sol e Lua circungiram Meru
Há inúmeras especulações sobre a localização no Himalaia do monte Meru. Alguns dizem ser em Uttarakhand, Garhwal, Índia, 
Monte Meru,
Uttarakhand, Garhwal, Índia
outros dizem estar nas escarpas norte da Tartária (Sibéria) (Monier Williams Sanskrit Dictionary).  No Srimad Bhagavatam 5.16.7 a 5.16.28 tem a descrição de sua localização e tamanho, como centro do mundo.
Monte Meru, axis mundi
Alguns dizem que Meru é a montanha Mandara. Nessa lenda, Vishnu desceu na forma de uma tartaruga, Kurma Avatara e orientou os devas  e os asuras a bater o oceano de leite para reaver as 13 preciosidades, dentre elas o amrta, néctar da imortalidade.
Vishnu Kurma Avatara sustentando a montanha Mandara/Meru
Assim, sobre o casco da tartaruga Vishnu, a montanha Mandara serviu de eixo central na qual foi amarrada a gigantesca cobra Vasuki como uma corda. A cobra/corda fazia girar a montanha Mandara, o eixo do mundo, batendo o oceano de leite cósmico. Fazendo surgir de suas espumas maravilhas.
Devas e asuras seguram envolvem a cobra Vasuki para girar a montanha Mandara e bater o oceano de leite.
Outra lenda conta que a montanha Meru e o deus do vento Vayu eram amigos. Contudo, o sábio Narada abordou Vayu e incitou-o a humilhar a montanha. Vayu soprou com força total por um ano.
Vayu fustiga Meru
Meru não se submeteu, contudo se enfraqueceu, foi então que Vayu soprou com mais força, fazendo que o topo da montanha quebrasse e voa-se para o mar, formando uma ilha. Esse pedaço do Meru é Sri Lanka, hoje Ceilão.

Monte Meru perde parte do seu topo que cai no mar
Monte Meru em Uttarakhand,
Sri Lanka, Ceilão
Meru ou Sumeru é também o nome dado a conta isolada, proeminente, do rosário indiano – mala. A mala possui, geralmente, mais 108 contas, além da conta Meru. A mala é usada para repetições de mantras e também é conhecida como japamala, rosário de repetição.

sumeru é a conta proeminente da mala

O eixo do microcosmo é a sushumna nadi, no interior da coluna vertebral, que recebe o nome de merudanda, o bastão proeminente.

merudanda = sushumna nadi
Fonte:
Boletim da IYTA maio/jun 2000 - Rshi Ashtanga YogaParamparya

Utkatasana

Postura de Cócoras

de Flavia Venturoli Miranda
janeiro/2013


ut – para cima
kata  = kati
- excessivo, quadril
kuti
– curvar-se
utkata
– exceder a medida usual, imenso, gigantesco, difícil, superior, altivo
utkuta
 – curvar-se para o alto
utkatika  = utkutaka
– agachar-se, sentar-se sobre as coxas
utkatikasana = utkutakasana
– sentado sobre as coxas






Utkatasana é conhecida como a postura da cadeira, pois se assemelha a uma cadeira de espaldar alto. Nesta variação, as coxas ficam paralelas ao solo, calcanhares no chão e coluna verticalizada. Isso traz fortalecimento para musculatura posterior das coxas e o alongamento da panturrilha. A coluna é alongada e fortalecida. Os músculos do abdômen permanecem ativos, fortalecendo-os.

Utkata pode ser traduzida de várias e diferentes maneiras: difícil, superior, poderosa, curvada para o alto e cócoras, que foi a tradução que escolhi, pois me parece o objetivo máximo da postura.

Variações

São citadas inúmeras variações por Srivatsa Ramaswami, desde variações da posição dos braços e mãos, até a intensidade do agachamento chegando até a cócoras. 

Quanto às pernas: cócoras, agachado, coxas paralelas ao solo, pernas unidas, pernas afastadas com pés paralelos, pernas afastadas com os pés virados para fora.

Quanto aos pés: meia-ponta ou ponta dos pés (com ou sem apóio para o calcanhar), calcanhar apoiado no chão, pés unidos, pés afastados, pés unidos ou afastados com calcanhares unidos e dedões afastados formando um V (mandukasana)
mandukasana
Quanto à coluna: desde verticalizada à 45º ou 90º, em em ângulo mais fechado (malasana), com torção (pasasana).

Quanto aos braços: esticados para alto (mãos em prece ou afastadas), esticados à frente paralelos ao solo, mãos em prece no peito ou nas costas, mãos tocando os joelhos ou abraçando-os, palmas das mãos apoiadas nas escápulas, braços abertos paralelos ao solo ou com mãos para o alto (utkatakonasana e  com a língua para fora -  kalyasana, postura da deusa Kali).
utkatakonasana
Na sequência do Rshi Ashtanga YogaParamparya, a utkatasana é de cócoras, abraçando os joelhos.

Fonte:
IYENGAR, B.K.S – Light on Yoga – Schocken Books 1979
RAMASWAMI, Srivatsa – Vinyasa Yoga –– Marlowe
SARASWATI, Sw. Satyananda. Asana Pranayama Mudra Bandha. Satyananda Yoga Center Brasil, Belo Horizonte. 2009 – druta utkatasana
Boletim da IYTA maio/jun 2000 - Rshi Ashtanga YogaParamparya

Kailasa Mudra

Selo de Kailasa

de Flavia Venturoli Miranda
janeiro/2013
Kailasa – montanha do Himalaia que é a morada do deus Shiva e Kubera
mudra – selo
Na kailasa mudra, eleva-se os braços e une-se as mãos em preces com os punhos apoiados na cabeça, reproduzindo no corpo a grandiosa montanha Kailash de mais de 6.600m do norte do Himalaya no Tibete. 
Montanha Kailasa - morada de Shiva e Kubera
Esta bela e imponente montanha é a fabulosa residência do deus da riqueza Kubera e é o paraíso do deus Shiva.
Kubera - deus da riqueza  mora em Kailasa
Shiva e família em Kailasa

Conta a mito que o rei Ravana tornou-se um devoto para conseguir as bênçãos do deus Shiva.
Ravana
Porém, Shiva não lhe deu atenção, pois estava em Kailasa com sua esposa Parvati dançando o tandava (saiba mais sobre na postagem sobre natarajasana).
Shiva e Parvati dançando o tandava
Ravana ficou irritado por não ter suas preces atendidas e levantou a montanha Kailasa para levá-la consigo para o Shri Lanka. Isso deixou Shiva furioso que pisou sobre a montanha quase esmagando Ravana embaixo. Ravana pediu desculpas oferecendo suas várias cabeças em troca pelo seu erro. Shiva em comiseração libertou-o e deu-lhe o nome de Ravana Asura.

Shiva esmagando Ravana no Kailasa
Kailasa mudra dá ao praticante a força dessa montanha rica e celestial, enquanto traz o assentamento e humildade para nossas várias cabeças demoníacas: mente, ego, pensamentos, etc.

Na sequência Rshi Ashtanga Yoga Paramparya, a kailasa mudra é feita na postura vajravirasana e se permanece por 1 minuto.


Fonte:

Boletim da IYTA maio/jun 2000 - Rshi Ashtanga YogaParamparya

13 janeiro 2013

Vajravirasana

Postura do Herói Invencível

de Flavia Venturoli Miranda
janeiro/2013
vajra  – raio, diamante
vira
– herói
vajravira
– herói invencível, epíteto de Mahakala
Vajravirasana é uma variação da vajrasana em que os artelhos ficam revirados. Desse modo ocorre o alongamento da musculatura da sola dos pés, comumente atrofiada pelo uso de sapatos e saltos.  Saiba mais sobre a vajrasana.

Vajravira é outro nome para Mahakala, o Grande Tempo. Mahakala é Shiva que é autogerado, contudo às vezes também é dito que Vajravira é filho de Shiva com Parvati. O tempo, kala, é feroz e invencível, é o grande transformador do mundo, por isso o herói invencível.
Vajravira - Kahakala - Shiva
No budismo vajrayana, há 5 Jina (vitorioso) Buddhas que são as qualidades do corpo do dharma (dharmakaya). Vajravira Mahakala é uma manifestação irada do Jina Buddha Akshobhya. Sua raiva é compassiva, pois é dirigida aos obstáculos que atrapalham o yogi no caminho da iluminação, por isso ele é o Buddha da proteção e da sabedoria. Akshobhya, o Imperturbável, é o Buddha que transmuta agressividade em sabedoria.
Vajravira Mahakala Buddha
Assim temos tanto na visão hinduísta como na budista, vajravira (herói invencível) como o furioso tempo transformador, protetor e sábio. Analogicamente neste asana, a tenacidade feroz transforma o praticante, traz a proteção da benevolência (shiva) e a imperturbabilidade (akshobhya) que leva a sabedoria.

Fonte:
Boletim da IYTA maio/jun 2000 - Rshi Ashtanga YogaParamparya